sexta-feira, 6 de junho de 2008

Um dia sex and the city absolutely fabulous

Minha sitcom de cabeceira é "Ab Fab", não é "Sex and the city." Aliás, "Sex and the city" não é sitcom, é uma excelente soap opera, o que equivale às nossas telenovelas lá nos States. Ab Fab é muito mais requintada e inteligente, com referências do universo pop dos anos 20 aos 90, que são para iniciados. Quem não distingue Baader Meinhof de Beatles, dificilmente pegará sua infinidade de impagáveis gags, produzidas pela cabeça de gênio de Jennifer Saunders, esta inglesa cultíssima de Devon, que, para mim, é forte candidata a Shakespeare da neo-renascença, e, no entanto, de uma despretensão e um humor brit e de um escracho chanchadesco que só ela pra conciliar. Eu já fui meio Edina Monsoon e já tive minha Patsy Stone e mais todas aquelas amigas loucas de Eddy. Mas também fui Samantha, no meio de Carrie, Charlotte e Miranda. Edina foi minha fase porralouca. Samantha foi minha fase pré-porraloucura e pós-casamento. Ou seja, minha fase madura. Amo tanto um personagem quanto o outro. Há 10 anos, quando "Sex and the city" estreou nos EUA, uma produtora de cinema me pediu para escrever um roteiro inspirado na série, mas adaptado para a minha vida com minhas amigas de infância. Ou seja, ela queria fazer de mim uma Carrie Bradshaw. Mostrou-me o piloto e eu quase caí dura quando vi Sarah Jessica Parker naquele papel. Sarah, Jen e eu, guardando as devidas proporções, porque não passo de uma third world victim, temos em comum a adoração por Woody Allen. O primeiro filme de Sarah, inteiramente escrito, produzido e dirigido por ela, é um pastiche dos filmes de Allen. Péssimo. Ela imita os caoetes, o jeito, as idiossincrasias, mas não funciona. Judia novaiorquina, do Brooklyn, como ele, era natural que Woody fosse seu paradigma. Mas Sarah não é boa roteirista. É ótima comediante. Então, desistiu de jogar nas 11 e catou um argumento que ela pudesse produzir para estrelar. Encontrou no livro homônimo de Candice Bushnell seu alter ego perfeito. Ou seu ego modelo, porque Sarah tem um metro e cinqüenta, cabelo Sarah-Rá, e sempre se vestiu com as roupas mais esculhambadas do norte americano. Mas ali ela identificou a heroína que a iria livrar dos papéis secundários em sua já longa carreira cinematográfica e a alçar à categoria de superstar da TV americana. Acertou em cheio na escolha. O roteiro muito bem construído de Sex, as supporting actresses excelentes, a produção e o assunto foram ingredientes de uma receita infalível. Quando quatro mulheres se juntam, o assunto, em geral, abarca compras e sexo. Isto é com qualquer mulher, de qualquer idade, de qualquer orientação sexual, que tenha uma turma. Pois hoje, por uma dessas felizes coinciências da vida, eu tive um dia totalmente "Sex and the city", que só poderia terminar numa sessão do longa-metragem, que acabou de estrear. Fui almoçar com minhas oito amigas - quatro é pouco pra mim - de infância, como fazemos toda semana, sempre num restaurante diferente. Hoje, aniversário de uma delas, o encontro foi no Roberta Sudbrack, onde degustamos seu menu surpresa, regado a vinhos franceses divinos. Para ser franca, não achei lá essas coisas, mas a Roberta é educadíssima, simpatissíma, afável, e o décor combinava com a situação. Parece mesmo um desses restaurantes clean de NY, que não fazem muito o meu gênero, porque morei lá e são points de patricinhas, e eu preferia lugares mais autênticos e antigos. Mas combina com um dia sex and the city. A comida, apenas correta, foi compensada pelo vinho e pela sobremesa, dos deuses. Já meio tipsy, resolvemos rumar, não as oito, mas apenas quatro, para ficar mais comme il faut, para o cinema, para celebrar nossa amizade. Apesar de curtir horrores a série, fui munida de alguma desconfiança protetora. Mas, já nos primeiros planos, eu estava adorando. Ri, chorei, me diverti muito, porque, sim, eu e minhas amigas somos exatamente como elas. Não era à toa que eu, quando morava em NY, confundia Nova Iorque com Niterói, porque afinal são palavras quase homófonas. Minhas amigas de Niterói são todas do ramo da moda. Vestem-se com roupas semelhantes às da protagonista. Enquanto Jen/Edina caricaturiza este universo, Sarah/Carrie o celebra. Eu fico ora na sátira, ora na devoção. Sou uma perua outsider. Mas há dias em que estou mais outsider. Outros, mais perua. E hoje foi meu dia de perua. Adoro fazer compras e falar de sexo, bebendo champagne e comendo em restaurante. E, desde a mais tenra infância, eu e minhas amigas fazemos isto. Basta dizer que, no intervalo do colégio, nós líamos "120 dias de Sodoma", ao som de John Lennon. Pensando bem, nesta época, nós éramos mais Ab Fab. Passamos pelos eighties, fumamos muita cannabis sativa. Mas acabamos virando coroas bem-sucedidas e nossa futilidade, não raro, nos toma e redime. "Sex and the city" é um conto de Cinderella, que só poderia ser plenamente compreendido para aqueles que tivessem vivido na América. Eu só compreendi Madonna, quando morei nos Estados Unidos. Aqui, todo mundo trepa com todo mundo. Sexo é uma banalidade. Mas, lá, uma mulher misturar religão com sexo é uma transgressão tremenda. Madonna foi a Adélia Prado norte-americana. O mesmo se dá com sex and the city. Aquelas trepadas e os papos sobre sexo, numa tv americana, são de grande ousadia. A sociedade protestante é muito pudica. Entreanto, o longa, talvez em função de as protagonistas se encontrarem mais velhas, suaviza um pouco a sacanagem. Outro dado a se considerar, além de sexo ser um tabu nos EUA muito maior do que aqui, passa pelo fato de casamento lá ser uma instituição seríssima. Um casal sob o mesmo teto, que não seja casado no papel, é tratado como boy friend and girl friend. Eu tenho dois amigos coroas, que moram há 12 anos juntos, e ainda se tratam deste modo. Casamento só no papel. Então, americano só se casa se tiver muita certeza de que irá passar o resto da vida com aquela pessoa. Amaziar é temporário. Casar é pra sempre. Então, entende-se porque Carrie quer casar com Mister Big. E, no fim das contas, é uma novela e novelas têm happy ending conservador. A lei do concubinato no Brasil é fortíssima. Uma concubina tem muito mais direitos até que uma mulher legítima. Porque o Brasil gosta de prestigiar a putaria. Mas nos EUA se você não assina os documentos todos e, por exemplo, seu parceiro ou parceira morrem, bye bye bens. Você não direito a um centavo. Vai tudo pra família do companheiro/companheira. Eis a razão de o movimento gay, por exemplo, urrar pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Um casal gay não tem direito a nada lá. Aqui tem. A lei do concubinato protege o casal gay também. Saibam disto, GLBT friends!!!!
Contudo, o personagem que mais curto e com o qual eu mais me identifico em Sex é mesmo a Samantha. Tenho a mesma idade que ela, 49 anos, e, apesar de ter sido casada durante 25 deles, eu não gosto de me amarrar em relacionamentos. Como Samantha Jones, eu adoro experimetar. E como experimentei. Salvo animais irracionais e invertebrados, mamíferos bípedes, de diversos sexos, cores e credos, já passaram por, como direi?, meu crivo degustador. Como Samantha, também acabei na companhia de um cachorro que é a criatura ideal pra quem não gosta de se amarrar, mas gosta de f.... Não sei o que irá acontecer conosco, na velhice, mas suspeito que ela vá viver com as outras amigas, já viúvas, e que eu vá morar com Sandra, Nina, Ilana, Clarice, Patrícia, Guida e Claudia, numa casa que já escolhemos na Provence, onde a Nina, que é a maior chef de cuisine do Hemisfério Sul, costuma trabalhar uma vez por ano, cozinhando para banquetes dignos de Babette. Ou, então, eu vou acabar como Patsy e Edina, com minha grande amiga também, Dulce, vizinha de minha cyber filha e de sua filha, Alice. Não sei o que prevalecerá. Se Ab Fab ou Sex and the city. Ou ambos! Mas é interessante notar que, de Lucy e Ethel, passando por Mary e Rhoda, a Eddy e Patsy e Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda, a sitcom celebra a sisterhood. E a vida me brindou com esta dádiva: amigas que são capazes de largar tudo para vir me socorrer, que ficam sempre do meu lado, mesmo que eu esteja errada, que torcem por mim, que sofrem, quando eu sofro, e que se alegram, quando eu estou feliz. Tenho colecionado amigas assim, vida afora, quando não são mulheres, são bichas maravilhosas, mas hoje estou sex and the city e, nos créditos finais do filme,eu e minhas amigas de infância e adolescência e juventude e maturidade...estávamos todas de mãos dadas, aos prantos. Os machos que me desculpem, mas amizade, ao contrário da propaganda da oposição, é coisa de mulher. E esta, coincidentemente, foi uma semana em que tive contato com quase todas as minhas grandes amigas e, tenho que ser justa, alguns bons amigos homens também. E, assim imbuída pelo espírito da amizade verdadeira, eu me sinto neste dia, primeiro do fim de uma semana ótima, a pessoa mais sortuda de todo o mundo, porque from Niterói to L.A., do mais alternativo ao mais mainstream, do mais pobre ao mais bem-aquinhoado, eu tenho amigos, que de tão bons, sejam de que sexo for, são, para mim, amigas para o resto de minha absolutely fabulous life. Quanto ao sex and the city, este vai, este volta...mas amizade é, de todos, o maior e mais duradouro tesão. Thanks, my fabulous fantastic friends, I love you all and forever... (e, sim, eu vou fazer o roteiro destas oito mulheres que nunca se separaram, durante as últimas cinco, God!, décadas, e vai ser absolutely fabulous sexy and in the city of Niterói!)

terça-feira, 3 de junho de 2008

O funk invadiu, cumpadi

Está em todo canto, está em toda parte. Eu canto no chuveiro, vcs tudo se debate.

A influência da literatura funk no cinema francês:



A influência da música funk na animação de massa, digo massinha!



e cruz créu! créu créu créu